A reforma tributária deixou de ser promessa e passou a ser realidade. E, com ela, chega também a conta – com juros, multa e correção. O alerta é do advogado Fabiano Redondo Costa, ex-vereador de Torrinha e atual Controlador Interno da Prefeitura de Santa Maria da Serra, que avalia que os impactos serão mais severos justamente para os municípios que não se prepararam ao longo dos anos.

Segundo Fabiano, a mudança no modelo de arrecadação vai expor uma diferença que já existia, mas agora ficará visível no caixa das prefeituras.

“Quem se preparou sente menos. Quem não se preparou sente mais. E essa diferença aparece rápido”, afirma.

Distrito Industrial que nunca saiu do papel

De acordo com o advogado, Torrinha convive há anos com o discurso do Distrito Industrial como solução para geração de empregos, renda e desenvolvimento. O tema esteve presente em campanhas, promessas e debates, mas nunca foi efetivamente implantado.

Enquanto isso, o tempo passou, o país mudou e a cidade ficou parada, sem criar uma base econômica própria capaz de enfrentar um novo cenário tributário.

Reforma tributária muda o jogo

Com a reforma, municípios que geram emprego, atraem empresas e produzem riqueza local entram mais fortes na nova lógica de arrecadação. Já aqueles que dependem quase exclusivamente de repasses acabam mais vulneráveis.

“A relação é direta. Quem produz e gera atividade econômica tem mais força. Quem vive só de repasse fica mais dependente e frágil financeiramente”, explica Fabiano.

Turismo ajuda, mas não resolve tudo

Nos últimos meses, especialistas passaram a apontar o turismo como alternativa para cidades pequenas. Fabiano reconhece que o setor pode ajudar a movimentar o comércio e estimular o consumo local, mas faz um alerta importante: turismo não nasce sozinho.

Sem planejamento, estrutura, organização, divulgação e continuidade, o turismo vira apenas expectativa. Além disso, ele não substitui empregos fixos nem cria, sozinho, uma base econômica permanente.

O erro foi não planejar

Para o advogado, o maior erro não foi apenas deixar projetos no papel, mas não planejar o futuro com seriedade.

“Gestão pública não é apagar incêndio nem viver de promessa. É preparar a cidade para o que vem. E o que vem já chegou”, ressalta.

Segundo ele, ainda é possível corrigir o rumo, mas agora o custo é maior para a população. Cada decisão adiada se transforma em conta no futuro – e quem paga é quem mora, trabalha e paga impostos em Torrinha.

Decisão precisa ser agora

Fabiano Redondo Costa defende que o município precisa decidir se continuará empurrando decisões importantes ou se vai, de fato, construir um futuro mais sólido e menos pesado para o bolso da população.

“Planejamento não é luxo. É proteção para o cidadão e respeito com o dinheiro público. Quem se prepara paga menos. Quem deixa para depois paga mais.”

Para ele, o caminho passa necessariamente por diálogo verdadeiro com a população, responsabilidade administrativa e fim do improviso.

A reforma tributária já é realidade. A pergunta que fica é se Torrinha vai continuar reagindo aos problemas ou finalmente começar a se antecipar a eles.