Polêmica resulta de decisão do STJ que confirma enriquecimento ilícito de ex-prefeito e atinge hotel em nome da vereadora na época em que era menor de idade
A 18ª sessão ordinária da Câmara de Anhembi, realizada na noite de 29 de setembro, terminou em tensão após um embate entre os vereadores Douglas Mortadela (União Brasil) e Rafaela do Ruy (Republicanos). A discussão girou em torno de um processo de improbidade administrativa que envolve o ex-prefeito Ruy Ferreira de Souza (pai da Vereadora, falecido em 2020) e o ex-diretor de Obras José Carlos da Silveira.
Durante seu tempo de palavra livre, Douglas questionou Rafaela sobre decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determinou a devolução de valores ao município e a perda de um hotel transferido à época para a vereadora, ainda adolescente. Rafaela reagiu de imediato, afirmando que o processo tramitava em segredo de justiça e ameaçando acionar judicialmente o colega por citar o caso em plenário.
O clima se agravou quando Rafaela solicitou que funcionários da Câmara chamassem a Polícia Militar. Ela pediu que Douglas fosse levado à delegacia para prestar esclarecimentos. O vereador tentou responder, mas teve o aparte negado. Diante do bate-boca, o presidente da Casa, Rogério Winckler, precisou intervir para restabelecer a ordem.
A chegada da viatura manteve Douglas no prédio por mais de uma hora, até que fossem colhidas as informações. Nesse período, a mãe de Rafaela, Soninha, apareceu no local, agarrou o braço da filha e dirigiu ameaças ao parlamentar adversário. Testemunhas relataram que Douglas permaneceu calmo enquanto a vereadora se mostrava visivelmente abalada.
O processo no STJ
O Riu Palace Hotel (antigo Hotel Divino)
Consulta pública ao site do Superior Tribunal de Justiça revela que o recurso especial (AREsp nº 2576202/SP) transitou em julgado em 25 de agosto de 2025. A decisão confirmou a condenação por improbidade administrativa contra ex-prefeito Ruy Ferreira e seu Diretor de Obras, apontando enriquecimento ilícito e transferência simulada do Hotel Pousada Divino Espírito Santo de Anhembi.
Segundo os autos, a empresa do hotel foi registrada em nome de Rafaela quando ela tinha 12 anos, em operação considerada pela Justiça como tentativa de ocultação de patrimônio. O patrimônio do então prefeito também apresentou evolução incompatível com seus rendimentos. A condenação manteve multa e devolução de valores, restando apenas ajustes à nova Lei de Improbidade.
Com a decisão final, o processo retorna ao Tribunal de Justiça de São Paulo para execução das penas, que incluem pagamento das multas e perda de bens adquiridos ilegalmente.
Próximos passos
Os dois vereadores devem dar continuidade aos procedimentos policiais iniciados após a sessão. A Câmara de Anhembi ainda não se manifestou oficialmente sobre os desdobramentos do episódio.
A Câmara Municipal de Anhembi recebeu na noite de quinta-feira, às 19h, a psicanalista Graziela Brizola para a palestra Revolução Silenciosa: faça da sua mente sua maior aliada. O encontro integrou o Programa Escola do Legislativo e marcou as ações do Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio. Com linguagem simples e acessível, Graziela destacou a importância de reconhecer os sinais de desgaste emocional. Ela lembrou que a correria da vida moderna leva muitas pessoas a viver no “piloto automático”, sem perceber o impacto da mente sobre o corpo. “Pequenas ações podem gerar grandes transformações quando praticadas com constância”, afirmou.
A psicanalista chamou a atenção para o que definiu como uma “epidemia silenciosa”: o crescimento dos casos de ansiedade, depressão e outras doenças ligadas ao estresse. Segundo ela, encontrar equilíbrio não depende de fórmulas milagrosas, mas de hábitos diários, como cultivar momentos de pausa, desenvolver atenção plena e exercitar a gratidão.
O evento reuniu moradores, servidores públicos e representantes da comunidade, que puderam refletir sobre como fortalecer a saúde mental em meio às pressões do cotidiano. “Cada pessoa pode escolher se quer ser conduzida pelo caos ou se deseja assumir o controle da própria vida”, destacou Graziela.
Ao final, a Câmara reforçou que a iniciativa integra o calendário do Setembro Amarelo, lembrando que o diálogo aberto é a principal ferramenta de prevenção.
Há uma melancolia silenciosa que paira sobre os espaços públicos de Anhembi. Lugares que deveriam pulsar com vida, acolher encontros e celebrar tradições transformaram-se, ao longo dos anos, em símbolos de descuido e de gestões que falharam em planejar. Essa sensação é especialmente forte quando se fala do Centro Comunitário de Anhembi, o querido “Clubinho”, e da Estação Ferroviária de Piramboia, conhecida pelos moradores carinhosamente como “Clube”.
Esses espaços não eram apenas construções de tijolo e concreto. Eram pontos de encontro, palcos de memórias, territórios onde a comunidade se reconhecia. Bailinhos animados, carnavais coloridos, domingueiras festivas — ali cabia a vida social em toda sua intensidade. Mas as falhas de planejamento, as obras arrastadas e os impasses financeiros interromperam esse ciclo. O Clubinho, fechado por aproximadamente quinze anos, só recentemente voltou a receber pessoas. Já o Clube de Piramboia, silenciado há quase vinte anos, permanece como um retrato estático de tempos que não voltam.
O prejuízo não se resume ao erário público. O maior dano talvez seja invisível: uma geração inteira de anhembienses cresceu sem a experiência de ocupar esses espaços como ponto de convivência. Faltou a elas o calor dos encontros, a construção de laços sociais que se fortalecem no convívio coletivo.
Nas conversas entre amigos, é comum que o passado seja revivido. Fala-se com brilho nos olhos dos bailes que movimentavam o espaço, das gargalhadas que ecoavam pelo salão, da sensação de pertencimento que só uma cidade pequena pode oferecer. Essa saudade não é apenas um exercício de memória: é também uma crítica à ausência de cuidado com o patrimônio público e um alerta para que erros assim não se repitam.
Anhembi precisa valorizar mais seus espaços coletivos. O Clubinho, que renasceu após tantos anos, ainda sem o esplendor de outros tempos, mostra que é possível recuperar. Mas ainda falta devolver vida ao Clube de Piramboia. Não se trata apenas de tijolos e reformas: é sobre resgatar memórias, dar continuidade a tradições e garantir que as futuras gerações tenham seus próprios capítulos para contar.
Se o passado nos inspira saudade, que o futuro seja escrito com responsabilidade. Porque a história de um povo também se constrói na forma como ele cuida de seus lugares de encontro.
*Rodrigo Elias Pinto é advogado, com pós-graduação em Direito Público, Gestão Pública, Contabilidade Pública e Responsabilidade Fiscal, Comunicação Eleitoral e Marketing Político, Direito do Consumidor e Direito Civil e Processo Civil. Foi vereador em Anhembi por quatro mandatos e, por duas vezes, presidente da Câmara Municipal.
Dizem que um mestre e seu discípulo viajavam juntos. Ao cair da noite, resolveram descansar. O mestre pediu:
— Amarre bem o burro antes de dormir.
O discípulo, confiante apenas no céu, pensou: “Se Deus cuida de tudo, também cuidará do burro.” E deixou o animal solto.
Na manhã seguinte, o burro havia desaparecido. O discípulo, indignado, reclamou: — Mestre, pedi a Deus que cuidasse dele!
O mestre respondeu com firmeza e ternura: — Sim, meu filho, Deus cuida de tudo. Mas Ele também lhe deu mãos para amarrar o que é preciso.
Assim é a vida: não basta pedir, é preciso agir. Confiar em Deus não significa cruzar os braços esperando que tudo se resolva. Significa caminhar lado a lado: eu faço a minha parte, e o que está além de mim, deixo nas mãos d’Ele.
Porque cada dificuldade traz a chance de aprender. Cada perda pode se transformar em um ganho maior. Mas para que isso aconteça, é preciso que plantemos, que cuidemos, que amemos — e que façamos o que nos cabe fazer.
Começar o dia assim é simples: Confiando no céu, mas com os pés firmes no chão. Pedindo força a Deus, mas oferecendo também a nossa força. Sabendo que milagres acontecem, mas que às vezes o milagre é apenas não esquecer de amarrar o burro…
“Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor nosso Deus” (Salmos 20:7)
Rolo compressor e R$ 150 mil para a Saúde são garantidos para 2026; vereadores também buscam recursos para estradas rurais, escolas e o Rio Tietê.
Em audiência pública realizada na Câmara Municipal de Bofete, vereadores de Anhembi apresentaram solicitações de investimentos em áreas estratégicas do município. O encontro, promovido pela Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento (CFOP) da Assembleia Legislativa de São Paulo, ocorreu na sexta-feira, 19, e contou com a presença de autoridades regionais, como o prefeito de Bofete Carlinhos do Carmo e do prefeito de Pardinho Cristiano Camargo.
O presidente da Câmara de Anhembi, Rogério Winckler, participou ao lado dos vereadores Ivan Chiquito e Marquinhos Batista, acompanhados do assessor parlamentar Rodrigo Pomba. Também estiveram presentes o empresário do setor de segurança privada Mané Carioca e o ex-vereador Raul Marcel.
Na oportunidade, foram protocolados três ofícios na CFOP. O primeiro pede recursos para a limpeza das calhas do Rio Tietê, visando reduzir assoreamento e poluição, considerando a atividade pesqueira e a navegabilidade até a cidade. O segundo solicita R$ 2 milhões para manutenção das estradas rurais, fundamentais para o escoamento da produção agrícola e acesso a serviços básicos. Já o terceiro requer investimentos em infraestrutura escolar, incluindo a construção de um novo prédio para a EMEF Mário Covas e a reforma da EMEF Professora Olinda de Fátima Casimiro Soares, estimada em R$ 1,9 milhão, como parte do projeto de implantação do Programa Ensino Integral no município.
As audiências do Orçamento são realizadas anualmente com o objetivo de ouvir as demandas da população e dos representantes municipais para a elaboração do orçamento estadual do ano seguinte. O processo é conduzido pela CFOP, presidida pelo deputado estadual Gilmaci Santos.
Durante a reunião, o Deputado Gilmaci anunciou a liberação de R$ 150 mil para a área da saúde e um rolo compressor para a área de manutenção de estradas rurais, obras e serviços de Anhembi, resultado da articulação política dos vereadores presentes.
Após dúvidas de vereadores, Diretoria de Saúde e Prefeito respondem sobre faltas de pacientes, interrupção de serviço e ausência de atendimento domiciliar no distrito.
Em resposta ao Requerimento nº 84/25, de 30 de julho, apresentado por vereadores da Câmara Municipal, a Prefeitura de Anhembi, por meio do ofício nº 443/25 datado de 9 de setembro, prestou esclarecimentos sobre a oferta de serviços de fisioterapia no Distrito de Piramboia. O documento, assinado pela Diretora de Saúde, Micaela de Camargo, e pelo Prefeito Jairo de Góis, aborda as principais preocupações levantadas pela população e pelos parlamentares.
O Requerimento, de autoria dos vereadores Douglas Mortadela, Marquinhos Batista, Rogério Winckler, Ivan Chiquito, Daniel Veterinário, Dany Advogada e Thiago Becca, questionava quatro pontos centrais sobre o atendimento no distrito.
Um dos principais pontos era o elevado número de faltas de pacientes nos atendimentos em Pirambóia, em contraste com o volume de serviços prestados na unidade da sede do município. Segundo a Prefeitura, a diferença se justifica pelo fato de que a unidade de Anhembi conta com o dobro de colaboradores, o que naturalmente resulta em mais atendimentos realizados. As faltas no distrito, por sua vez, são justificadas pelos próprios pacientes por motivos diversos, como esquecimento e outros compromissos.
Os vereadores também questionaram se pacientes de Piramboia estariam sendo encaminhados ou buscando atendimento diretamente na sede de Anhembi. A administração municipal negou essa informação, afirmando que ela “não corresponde à realidade”.
Outra dúvida era sobre a ausência de atendimento fisioterapêutico no dia 29 de julho de 2025, mesmo com a presença do profissional no prédio público. A prefeitura informou que, na data, a fisioterapeuta participou de um treinamento para a alteração no sistema de informação RKM, promovido pelo Departamento de Saúde. Outros profissionais que utilizam o mesmo sistema também passaram pela capacitação no mesmo dia.
Por fim, o requerimento abordou a falta do serviço de atendimento fisioterapêutico domiciliar em Piramboia, apesar de haver demanda na localidade.
A Prefeitura reconheceu que o serviço não está sendo ofertado e apontou que a principal dificuldade está relacionada a problemas no transporte municipal. No ofício, a administração afirma que, “apesar dos esforços da Administração em adotar medidas para a regularização, ainda há falhas que impactam diretamente a realização dos atendimentos”. Contudo, ressaltou que o município “permanece empenhado em solucionar definitivamente essas questões logísticas”, a fim de garantir que a população do distrito seja atendida de forma contínua e adequada.