Na 13ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Anhembi, em 21/07, o vereador Douglas Mortadela (União Brasil) usou seu tempo na “palavra livre” para criticar a condução administrativa da Prefeitura e apontar incoerências nas respostas encaminhadas pelo Executivo.

Durante sua fala, Douglas cobrou a presença de assistente social no Distrito de Piramboia, demanda apresentada por moradores da localidade. O parlamentar também solicitou informações sobre a condução do “Programa Anhembi Mais Feliz 4” e sobre a atuação das máquinas da Prefeitura na zona rural. Segundo ele, responsáveis pelas ações estariam tentando atribuir aos vereadores decisões que, na prática, seriam de natureza administrativa. “Tentam jogar em cima da Câmara o que é responsabilidade deles”, afirmou.

O vereador levantou ainda suspeitas sobre critérios adotados no uso de máquinas públicas na zona rural. Questionou por que determinados moradores são atendidos enquanto outros não, e citou um possível caso de privilégio. Segundo Douglas, há relatos de que máquinas tenham atuado em uma área pertencente à empresa Belissi – conforme resposta ao Requerimento nº 45/2025 –, de propriedade da vereadora Rafaela do Ruy (Republicanos), que também é a primeira-dama. “Está faltando critério! Para uns pode, para outros não pode”, criticou.

Douglas também abordou a gestão do estacionamento da Festa do Divino, realizada entre os dias 6 e 8 de junho. Em resposta oficial (Ofício 348/2025), o prefeito Jairo (Republicanos) informou que o responsável pelo estacionamento foi Joaquim Felipe Baptista Filho, com fiscalização feita por “funcionários do Fundo Social”. O vereador questionou qual seria o vínculo de Joaquim com a Administração, alegando que ele trabalha na empresa Rei da Construção, pertencente à vereadora Rafaela.

Em aparte, Rafaela afirmou que Joaquim atuou como voluntário durante o evento e que a prestação de contas está disponível. A fala, no entanto, gerou novo questionamento por parte de Douglas, que lembrou que, em resposta anterior ao Requerimento nº 40/25, o prefeito havia informado que o Fundo Social “não tem funcionários nem voluntariados” e que a responsável direta pela entidade é a própria vereadora Rafaela do Ruy. Ela atribuiu a divergência a uma falha de informação.

Outro ponto abordado foi a convocação publicada no Diário Oficial, 16/07, para que o ex-vice-prefeito Alexandro da Silva, o Alex Lambari (PSD), retornasse ao cargo de tratorista concursado da Prefeitura. Segundo Douglas, a convocação veio com mais de sete meses de atraso. Ele criticou a falta de fiscalização e afirmou que servidores, como ele próprio, precisam justificar ausências e perdem o dia de trabalho quando se afastam. “Se qualquer servidor faz isso, sofre as consequências. Por que neste caso demorou tanto?”, questionou.

Ao final da sessão, a fala de um morador presente sintetizou o clima de descontentamento: “Nós votamos pela mudança e parece que só mudou o CPF das pessoas. A população que sofre”, disse.
A repercussão das declarações se espalhou rapidamente pelos bastidores da política local e gerou debates sobre transparência, gestão e igualdade no acesso aos serviços públicos.