*Por João Tomé

O vento soprava suavemente sobre o monte das Oliveiras naquela manhã silenciosa. Os discípulos estavam reunidos ao redor do Mestre, cada olhar carregado de perguntas e saudades antecipadas. Jesus falava com serenidade, suas palavras eram bálsamo e fogo ao mesmo tempo, preparando-os para o que estava por vir.
“Fiquem em Jerusalém”, disse Ele, “até que do alto sejam revestidos de poder.”
Eles ouviram atentamente, tentando gravar cada sílaba no coração. Era difícil imaginar a vida sem aquele que transformara pescadores em mensageiros e medrosos em corajosos.
Então aconteceu algo inesperado.
Enquanto ainda falava, Jesus ergueu lentamente as mãos, como quem abençoa o mundo. Uma luz suave começou a envolvê-lo, e seus pés se desprenderam do chão.
Os discípulos recuaram um passo, fascinados e atônitos. Ele estava subindo.
Subia com a calma de quem conhece o destino. Subia como quem retorna ao lar.
Os olhos deles permaneceram fixos no céu, tentando seguir cada detalhe da figura amada que se elevava acima das nuvens. E então, uma nuvem luminosa o envolveu — e Ele desapareceu da vista deles.
O silêncio se espalhou entre o grupo.
Ninguém ousou se mover. Nenhum som, apenas o bater acelerado dos corações e o vento que soprava nas oliveiras. Era como se o tempo tivesse parado naquele instante.
Eles continuaram olhando para cima, como se o céu pudesse devolvê-lo a qualquer momento.
Pedro respirou fundo, João apertou os olhos, Tomé não sabia se acreditava no que vira. Cada um lutava com a ausência súbita e com a esperança que ainda pulsava.
Foi então que dois homens apareceram ao lado deles. Suas vestes brilhavam como a luz da manhã, e seus rostos traziam paz.
“Homens da Galileia”, disseram com voz firme e serena, “por que estão olhando para o céu?”
Os discípulos se entreolharam, sem resposta.
O anjo continuou: “Este mesmo Jesus, que foi elevado dentre vocês aos céus, voltará da mesma forma como o viram subir.”
Aquelas palavras atravessaram o silêncio como relâmpago.
Ele voltará.
A promessa ecoou no peito de cada um deles, reacendendo a chama que a saudade tentava apagar.
Com passos lentos, começaram a descer o monte.
Não havia mais Jesus ao lado deles, mas havia algo maior dentro deles: uma missão, um consolo, uma certeza.
Eles sabiam que não estavam sozinhos. Sabiam que o céu não era um adeus, mas um “até logo”.
“Porque ainda um pouquinho de tempo, e o que há de vir virá, e não tardará”.
Hebreus 10:37