Um grupo de vereadores articulou a elaboração de um “Manifesto em Defesa da Transparência Total” em assuntos que envolvem o dinheiro público, documento que começará a circular na cidade e já ganha adesão de lideranças políticas, comunitárias e cidadãos engajados na defesa dos princípios republicanos. A iniciativa conta com o apoio de todos os atuais vereadores, que afirmam estar atentos ao interesse público e comprometidos com a integridade da gestão municipal. O vice-prefeito Tom Macedo também aderiu ao manifesto e assinou o documento.

O Manifesto surge em meio à forte repercussão local e regional do caso de Improbidade Administrativa envolvendo o ex-prefeito Ruy Ferreira de Souza e o ex-diretor de Obras José Carlos da Silveira, relativo ao período de 2007 a 2012, denunciado pelo ex-vereador Rodrigo Pomba. A pauta voltou ao centro do debate público após decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça e a confirmação, em agosto de 2025, do trânsito em julgado do processo, encerrando qualquer possibilidade de recurso e encaminhando os autos ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para cumprimento de sentença. Segundo informações, além da devolução do prédio do hotel Riu, localizado no centro da cidade, estima-se que os valores de direito ao Município de Anhembi gira em torno de R$ 65 milhões atualizados.

As decisões judiciais, disponíveis para consulta pública no site do STJ e divulgadas durante a 23ª Sessão Ordinária de 2025 pelo Vereador Douglas Mortadela, apontam evolução patrimonial considerada incompatível com os rendimentos dos envolvidos à época, além de operações classificadas como simuladas, doação de hotel, discrepâncias financeiras significativas e ausência de comprovação de renda lícita adicional. A análise técnica do Ministério Público e o reconhecimento judicial consolidaram o entendimento de que houve enriquecimento ilícito durante o exercício de funções públicas.

O Manifesto destaca que tais fatos, por envolverem recursos públicos, constituem tema de interesse direto do povo de Anhembi. Os organizadores ressaltam que, diante do falecimento do ex-prefeito, o espólio passou a ser representado pela vereadora cassada e atual primeira-dama, Rafaela Souza de Góis, esposa do prefeito Jairo de Góis, situação que, segundo o documento, exige atenção institucional devido ao potencial conflito de interesses.

Os vereadores responsáveis pela articulação afirmam que o objetivo não é tensionar ainda mais o cenário político local, que já registra discussões intensas na Câmara e nas redes sociais, mas sim reafirmar a importância de garantir transparência total no manejo de informações relativas ao caso e no andamento da execução judicial. Para eles, a restauração da confiança pública passa pela divulgação ampla dos atos, pela vigilância social e pelo comprometimento das autoridades com a legalidade.

O Manifesto conclama a população a acompanhar de perto o processo e reforça que recursos públicos pertencem à coletividade. A transparência, defendem os signatários, é condição indispensável para assegurar justiça, integridade e a preservação do patrimônio do município.
A versão completa do documento está disponível junto ao vereador Douglas Mortadela para leitura e assinatura de cidadãos interessados em apoiar a iniciativa.