*Por Rodrigo Pomba

Em Anhembi e Piramboia, o discurso da união tem ganhado força. Fala-se em deixar o passado para trás e trabalhar juntos pelo desenvolvimento do município. É um passo necessário. Nenhuma cidade cresce dividida. Mas a ideia de cooperação não pode servir de abrigo para quem já tratou o poder como negócio de família ou confundiu cofres públicos com conta particular.

Superar diferenças políticas é importante. O que não se pode esquecer são os prejuízos deixados por gestões que desviaram recursos e atrasaram obras e serviços que pertenciam a todos. Reerguer o município exige transparência nas decisões, zelo pelo dinheiro público e, acima de tudo, resultados que cheguem à população — e não apenas “ao rei de momento e sua corte extasiada”.

União verdadeira não se constrói em discursos de ocasião. Ela nasce quando cada grupo político entende que o adversário não é o outro partido, mas o atraso. É preciso somar esforços para recuperar estradas rurais, escolas, empregos e oportunidades. Isso é o que o cidadão espera: que a política volte a funcionar como serviço, não como disputa pessoal.

Anhembi e Piramboia podem — e devem — trabalhar lado a lado. Mas a reconstrução não será completa se for apenas simbólica. O povo quer menos promessas e mais entrega. A pergunta que fica é simples: estamos prontos para cooperar de verdade ou apenas ensaiando mais um capítulo da velha política municipal?

*Rodrigo Elias Pinto é advogado, com pós-graduação em Direito Público, Gestão Pública, Contabilidade Pública e Responsabilidade Fiscal, Comunicação Eleitoral e Marketing Político, Direito do Consumidor e Direito Civil e Processo Civil. Foi vereador em Anhembi por quatro mandatos e, por duas vezes, presidente da Câmara Municipal.