*Por Rodrigo Pomba

Entre os interesses pessoais do governante e as demandas da sociedade, a resposta deveria ser óbvia: o bem coletivo deve prevalecer. O poder não é um privilégio particular, mas um compromisso público. Quem se dispõe a representar o povo assume o dever de colocar a cidade e seus cidadãos no centro das decisões.

Para isso, é preciso maturidade política. É essencial separar o que é crítica legítima, amparada na lei e na jurisprudência, daquilo que se resume a perseguição ou disputa partidária. A análise não deve depender de quem fez a denúncia, mas da sua consistência e relevância para a gestão.

O município e sua população não podem ser relegados a segundo plano. Negligenciar essa prioridade significa trair a confiança recebida nas urnas. O cargo público exige sacrifício pessoal, não o contrário.

O município e sua população não são moeda de troca. Colocar os interesses da cidade em segundo plano para preservar interesses particulares é uma afronta ao mandato recebido. Quem pediu o voto assumiu o compromisso de defender o município, custe o que custar.

A vida, no entanto, oferece recomeços. Nem todos têm uma segunda chance. Aqueles que a recebem devem aproveitá-la para corrigir rumos e rever prioridades, colocando de vez o interesse coletivo acima de conveniências individuais.

Segundas chances são raras. Quando surgem, devem ser usadas para corrigir erros, não para repeti-los com mais cautela. O governante que desperdiça essa oportunidade não merece o benefício da dúvida — merece o julgamento da história.

No fim, a verdadeira medida de um governante não está no que ele conquista para si ou no “marketing pessoal”, mas no que deixa de legado para todos.

*Rodrigo Elias Pinto é advogado, com pós-graduação em Direito Público, Gestão Pública, Contabilidade Pública e Responsabilidade Fiscal, Comunicação Eleitoral e Marketing Político, Direito do Consumidor e Direito Civil e Processo Civil. Foi vereador em Anhembi por quatro mandatos e, por duas vezes, presidente da Câmara Municipal.