*Rodrigo Pomba

Há uma melancolia silenciosa que paira sobre os espaços públicos de Anhembi. Lugares que deveriam pulsar com vida, acolher encontros e celebrar tradições transformaram-se, ao longo dos anos, em símbolos de descuido e de gestões que falharam em planejar. Essa sensação é especialmente forte quando se fala do Centro Comunitário de Anhembi, o querido “Clubinho”, e da Estação Ferroviária de Piramboia, conhecida pelos moradores carinhosamente como “Clube”.

Esses espaços não eram apenas construções de tijolo e concreto. Eram pontos de encontro, palcos de memórias, territórios onde a comunidade se reconhecia. Bailinhos animados, carnavais coloridos, domingueiras festivas — ali cabia a vida social em toda sua intensidade. Mas as falhas de planejamento, as obras arrastadas e os impasses financeiros interromperam esse ciclo. O Clubinho, fechado por aproximadamente quinze anos, só recentemente voltou a receber pessoas. Já o Clube de Piramboia, silenciado há quase vinte anos, permanece como um retrato estático de tempos que não voltam.

O prejuízo não se resume ao erário público. O maior dano talvez seja invisível: uma geração inteira de anhembienses cresceu sem a experiência de ocupar esses espaços como ponto de convivência. Faltou a elas o calor dos encontros, a construção de laços sociais que se fortalecem no convívio coletivo.

Nas conversas entre amigos, é comum que o passado seja revivido. Fala-se com brilho nos olhos dos bailes que movimentavam o espaço, das gargalhadas que ecoavam pelo salão, da sensação de pertencimento que só uma cidade pequena pode oferecer. Essa saudade não é apenas um exercício de memória: é também uma crítica à ausência de cuidado com o patrimônio público e um alerta para que erros assim não se repitam.

Anhembi precisa valorizar mais seus espaços coletivos. O Clubinho, que renasceu após tantos anos, ainda sem o esplendor de outros tempos, mostra que é possível recuperar. Mas ainda falta devolver vida ao Clube de Piramboia. Não se trata apenas de tijolos e reformas: é sobre resgatar memórias, dar continuidade a tradições e garantir que as futuras gerações tenham seus próprios capítulos para contar.

Se o passado nos inspira saudade, que o futuro seja escrito com responsabilidade. Porque a história de um povo também se constrói na forma como ele cuida de seus lugares de encontro.

*Rodrigo Elias Pinto é advogado, com pós-graduação em Direito Público, Gestão Pública, Contabilidade Pública e Responsabilidade Fiscal, Comunicação Eleitoral e Marketing Político, Direito do Consumidor e Direito Civil e Processo Civil. Foi vereador em Anhembi por quatro mandatos e, por duas vezes, presidente da Câmara Municipal.