*Por Rodrigo Pomba

O marketing político sempre foi vendido como ferramenta importante. Promete aproximar governantes do povo, traduzir ideias em propostas e conectar realidade e governo. Em alguns casos, porém, muitos descobriram que a vitrine vale mais que o produto. Assim, crises deixam de ser problemas e viram chance de reafirmar uma “agenda positiva” que, na maior parte das vezes, só existe na cabeça do político e seu marqueteiro.
Nos períodos mais turbulentos, pululam nas redes sociais imagens de políticos sorridentes, posando diante de obras ou equipamentos públicos como se estivessem “salvando o dia”. E sempre há quem aplauda. São os aduladores de ocasião, figuras que confundem propaganda com desempenho. Enquanto isso, a população observa a coreografia virtual e não vê mudança alguma no bairro, no posto de saúde ou no transporte que continua precário.
A aposta é simples: confiar na memória curta do eleitor. Passam-se três anos de insatisfação, filas e improvisos. Chega a eleição e os mesmos que nada entregaram aparecem com promessas recicladas e pequenos agrados. A lógica segue a frase atribuída a Voltaire, segundo a qual a política é o meio pelo qual homens sem princípios dirigem homens sem memória. É um resumo elegante de algo que conhecemos bem.
Há, contudo, um caminho oposto. Lideranças comprometidas têm a obrigação de separar publicidade de realidade. O diagnóstico correto dos problemas evita o velho truque de “tapar o sol com a peneira”, que rende curtidas, mas não solução. Feita com seriedade e comprometimento, a política transforma. E transforma, sobretudo, a vida de quem mais precisa — justamente aqueles que só aparecem nos vídeos por conveniência e oportunismo político.
Enquanto a população se engalfinha em discussões vazias, brigando por migalhas que caem das mesas do poder, o cotidiano continua duro. Filhos estudam em escolas insuficientes, famílias enfrentam filas intermináveis e muitos se distraem com fotos de viagens e salões de beleza publicadas com orgulho por quem vive das estruturas pagas e construídas com dinheiro público. No fim, poucos enriquecem. A maioria assiste.
Esse ciclo só muda quando a sociedade cobrar mais que poses. Quando exige resultados, não “stories and reels”. Quando desmonta o palco e ilumina o bastidor. Política não precisa ser espetáculo. Basta ser honesta. Esse é o verdadeiro RESPEITO!
*Rodrigo Elias Pinto é advogado, com pós-graduação em Direito Público, Gestão Pública, Contabilidade Pública e Responsabilidade Fiscal, Comunicação Eleitoral e Marketing Político, Direito do Consumidor e Direito Civil e Processo Civil. Foi vereador em Anhembi por quatro mandatos e, por duas vezes, presidente da Câmara Municipal. Atualmente é assessor parlamentar da Câmara Municipal de Anhembi.