*Por Rodrigo Pomba

Os eleitos, tanto do legislativo quanto do executivo, que hoje ocupam cargos públicos dependem do voto para chegar e permanecer no poder. Por isso, repetem que cada medida que adotam visa ao bem comum. Dizem agir pela coletividade, pelo bem do povo, mesmo quando a maioria não entende suas decisões. O discurso é conhecido. A prática, nem sempre é de fácil percepção.
Basta observar com atenção os gastos públicos. Em muitos casos, recursos que deveriam garantir serviços básicos acabam concentrados em poucos. Empresas específicas vencem contratos seguidos e de formas suspeitas. Grupos específicos recebem benefícios generosos. Enquanto isso, a população enfrenta descaso, falta do básico e infraestrutura precária.
A história recente oferece exemplos claros. Antes da eleição, candidatos se apresentam como leais representantes dos mais vulneráveis. Prometem melhorar escolas, ampliar a saúde e reduzir desigualdades. Depois da vitória, alguns priorizam interesses próprios e familiares. O patrimônio cresce. As promessas são esquecidas.
Esse contraste alimenta a descrença. Jovens passam a atacar a política e até a democracia. A frustração tem raízes reais. O sistema protege quem já está no topo da pirâmide financeira e social. A mobilidade se torna rara. A desigualdade persiste. Apenas criticar a política não resolve o problema. Abandoná-la é ainda pior.
A democracia exige vigilância constante e participação. O controle social sobre orçamentos e contratos é dever do cidadão, e não apenas das representantes eleitos, e obrigação do Estado quando presta contas com transparência. Recursos públicos devem ter destino definido: atender quem mais precisa. Garantir o mínimo existencial é obrigação — saúde, educação, moradia, segurança entre outras áreas. Quando o dinheiro sustenta apenas estruturas de poder formada por uma elite que pouco ou nada produz, amplia-se a distância entre governantes e governados.
A mudança não virá por encanto. Ela depende de cobrança firme, voto consciente e acompanhamento permanente dos mandatos. Manter acesa a esperança não é ingenuidade. É condição para impedir retrocessos e exigir que o poder sirva, de fato, ao povo.
E esse ano teremos novas eleições… e daqui dois anos teremos outra nos nossos municípios…
*Rodrigo Elias Pinto é advogado, com pós-graduação em Direito Público, Gestão Pública, Contabilidade Pública e Responsabilidade Fiscal, Comunicação Eleitoral e Marketing Político, Direito do Consumidor e Direito Civil e Processo Civil. Foi vereador em Anhembi por quatro mandatos e, por duas vezes, presidente da Câmara Municipal. Atualmente é assessor parlamentar da Câmara Municipal de Anhembi.