A segunda e decisiva votação está marcada para a próxima terça-feira, dia 2 de dezembro, na última sessão do ano antes do recesso parlamentar.

Em uma sessão marcada por debates e forte repercussão nas redes sociais, a Câmara Municipal de Charqueada aprovou em primeira votação – é necessário ser aprovado em dois turnos -, no dia 25 de novembro, terça-feira, o Projeto de Lei nº 39/2025, de autoria do prefeito Rodrigo de Arruda (PSD), que autoriza o município a contratar até R$ 15 milhões em empréstimo junto à Desenvolve SP.
O projeto passou por 7 votos favoráveis, 1 abstenção e 2 ausências, apesar da expressiva insatisfação de moradores, que criticaram o endividamento que, segundo eles, recairá sobre a população e sobre as próximas administrações.
A segunda e decisiva votação está marcada para a próxima terça-feira, dia 2 de dezembro, na última sessão do ano antes do recesso parlamentar.
População questiona necessidade do empréstimo
A proposta causou forte repercussão entre os moradores, especialmente pelo fato de que o atual prefeito Rodrigo de Arruda assumiu a Prefeitura em 2021 com aproximadamente R$ 15 milhões em caixa, deixados pela gestão do ex-prefeito Romeu Verdi.
Para grande parte da população, a situação causa indignação porque:
- Em 2021, a Prefeitura recebeu R$ 15 milhões em caixa;
- Em 2025, a gestão quer contrair R$ 15 milhões em dívida.
Ao final do contrato, com juros e correções, o valor pago será muito maior
Também, nas ruas e nas redes, muitos munícipes demonstraram indignação com a aprovação. As principais críticas se concentram em três pontos:
- Valor elevado do financiamento – R$ 15 milhões para obras iniciais do Distrito Industrial e pavimentação;
- Prazo longo de pagamento – até 10 anos, incluindo 1 ano de carência, o que ultrapassa o mandato atual e compromete gestões futuras;
- Juros considerados altos – 7,70% ao ano + IPCA, índice de inflação que pode aumentar o valor final pago pelo município.
Para parte da população, o projeto “engessa o orçamento” e cria uma dívida milionária que será paga com recursos públicos, principalmente por meio das receitas do ICMS e do FPM, vinculadas em garantia, conforme prevê o texto enviado pelo Executivo.
O que diz o Executivo
Na exposição de motivos anexada ao projeto, o prefeito Rodrigo de Arruda afirma que o empréstimo é fundamental para:
- Implantar a primeira etapa do novo Distrito Industrial;
- Construir infraestrutura necessária para atrair empresas;
- Gerar empregos e impulsionar a economia local;
- Realizar obras de pavimentação em ruas do município.
Segundo o Executivo, as obras são estruturantes e “prepararão Charqueada para o futuro”, justificando assim o financiamento de longo prazo.
Como votaram os vereadores
O painel eletrônico da sessão registrou ampla maioria favorável. Mesmo assim, a votação foi acompanhada com preocupação por moradores presentes e por quem acompanhou pela internet, que esperavam mais resistência ao endividamento do município.

O resultado final foi:
7 votos “Sim”, 1 abstenção e 2 vereadores ausentes.
Favoráveis ao projeto:
- Claudemir Cortez (PL);
- João Eurides Cardoso (PODE);
- Maria José da Silva (PSD);
- Paulo Rogério Fattore (REP);
- Robson Obrownick (REP);
- Rodrigo Apstecido Murillo (PODE);
- Vinícius Hélio Roccia (PL).
Se absteve ao projeto:
- Therezinha Mandro Tietz (PSD).
Ausentes por motivo de Saúde:
- Jaime Rodrigo Fava (MDB);
- Romero Rocca dos Santos (PV).
O presidente da Câmara, Fernando Ciaramello só votaria em um desempate no plenário.
Não houve votos contrários – fator que aumentou ainda mais o debate público após o encerramento da sessão.
Próximos passos e pressão popular
Caso seja aprovado em segunda votação, que acontecerá na sessão do dia 2 de dezembro próximo, o Executivo poderá formalizar o empréstimo junto à Desenvolve SP. No entanto, o debate está longe de terminar: movimentos da cidade já se mobilizam para acompanhar a segunda votação, esperando uma reflexão dos vereadores para mudarem os votos.
Enquanto isso, persiste a preocupação de que a dívida, que deve ultrapassar o mandato atual em vários anos, pesará no orçamento municipal e restringirá investimentos de futuras gestões.