
Durante coletiva de imprensa realizada na manhã do dia 01 de setembro, segunda-feira, integrantes da Mesa Administrativa e do Conselho Fiscal da Santa Casa de Jaú, anunciaram renúncia coletiva dos cargos e apresentaram dados sobre a situação financeira crítica da entidade. O prazo para inscrição de interessados em administrar o hospital para nova eleição, marcada para 25 de setembro, segue até o próximo dia 13.
Segundo o provedor da Santa Casa, Alcides Bernardi Júnior, a decisão pela renúncia coletiva foi tomada no dia 25 de agosto. Ele explica que os atuais membros permanecerão no comando até 4 de outubro, quando os novos eleitos assumem. Caso não haja interessados, a gestão poderá ser assumida pela prefeitura, Estado ou outra gestora legal.
Bernardi Júnior afirmou que buscou apoio financeiro junto ao Estado e à União nos últimos meses, sem retorno efetivo. Atualmente, 92% dos atendimentos são feitos via Sistema Único de Saúde (SUS), o que pressiona ainda mais o caixa da instituição. “A situação é difícil e o déficit só aumenta, tornando inviável continuar os trabalhos sem novos recursos”, declarou.
Uma planilha apresentada na coletiva revelou que o déficit financeiro, que em 2023 era de R$ 10,7 milhões, caiu para R$ 4,1 milhões em 2024, mas voltou a crescer e, até junho deste ano, já soma R$ 10,4 milhões, com projeção de ultrapassar R$ 22 milhões até dezembro. “A receita não cobre o custo da instituição”, reforçou a gerente administrativa, Scila Carretero.
A Prefeitura de Jaú reiterou, em nota, que cumpre integralmente sua parte no custeio do Pronto-Socorro, e que as demais áreas do hospital são de responsabilidade do Estado e da União.
Prefeitos da região reagem
O anúncio gerou forte preocupação entre prefeitos das cidades vizinhas, que dependem dos serviços prestados pela Santa Casa de Jaú para atendimento de média e alta complexidade.
“Se essa crise não for resolvida, toda a região será impactada. Nossos pacientes serão os primeiros a sofrer”, afirmou um dos prefeitos presentes na coletiva. Outro gestor destacou que a rede municipal de saúde das cidades menores não tem estrutura para absorver a demanda que hoje é encaminhada para Jaú.
Prefeitos estudam se unir para cobrar uma solução conjunta do Governo do Estado e do Governo Federal, buscando garantir o atendimento aos munícipes e evitar um colapso regional na saúde pública.
Sindicato também alerta
O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Jaú e Região (SindsaúdeJaú) também demonstrou apreensão. “Não está claro se haverá uma nova chapa entre os 132 irmãos da Irmandade, se a Prefeitura intervirá, se o Estado assumirá ou se haverá apenas mais um repasse temporário para segurar a crise. Nesse cenário, quem sofre é o trabalhador e o paciente que depende do SUS”, destacou a presidente do sindicato, Edna Alves.